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domingo, 20 de novembro de 2016

Uma questão de caráter: não de gênero.


Desenho - F.C.
 

Vivemos um momento de disputas intermináveis. Quando não entre pessoas do mesmo sexo, junto ao sexo oposto, talvez, menos por preconceito por parte de alguns e mais por medo de si e das próprias reações diante de experiências novas, fatalmente comparadas com as passadas. Os traumas dos relacionamentos permanecem na alma, retornam feito fantasmas, acabam por minar o que poderia ser diferente e promissor. Dizem que há uma cultura impregnando as relações humanas – a do interesse -, presente fortemente na fala e nas ações das últimas gerações. Todo fracasso do Eu está justificado sobre este “interesse” que muitos temem e outros professam. Mas, que interesse?

Observamos que, o errado repetidas vezes se torna o certo, quando o discurso acerca da mulher generaliza o gênero, não individualiza, coletiviza as ações, como se todas fossem agir sempre daquela desagradável forma. Este comportamento pouco saudável pode atingir também os homens, contudo, não ocorre com tanta frequência , como no caso da mulher. São raros aqueles que primam por distinguir e separam gênero (1) de caráter. Aliás, alguns (e algumas) antes precisam aprender a respeitar opiniões, ser mais tolerantes com o diferente, preocupar-se mais com o aperfeiçoamento interno do que com aquilo que ilude os sentidos. Certa vez, alguém comentou, surpreso, de que tal moça tinha os cabelos azuis e usava roupas e batom pretos, mas que ajudou a uma senhora. Associou a roupa exótica, os pearcings, a aparência externa à uma caixinha pré-fabricada. Assim, como neste caso, outras associações são feitas levando em consideração coisas fúteis e, não a essência de cada um. Se todos nós colocamos uma máscara, a fim de sermos aceitos em dado grupo ao qual desejamos pertencer, há de se esperar inúmeras máscaras – bastará garimpar a essência, os fundamentos básicos que formam o caráter para saber se vale ou não aquele relacionamento, seja ele qual for. Desta forma, voltando a questão do “interesse”, este todos têm: há de distinguirmos aquilo que é nocivo a nossa pessoa e aquilo que nos será favorável também. Quem não tem interesse em fazer amigos? Quem não tem interesse em encontrar o tal amor? Quem não tem interesse em ser feliz ao executar o seu trabalho (2)? É a qualidade disto tudo que conta. Cabe a cada um de nós antes de julgar como farinha do mesmo saco compreender cada criatura, sentenciando menos, discernindo mais. No caso anterior, o espanto por alguém atípico (na visão daquela pessoa) ajudar a idosa, reflete a sua incapacidade de perceber que ajudar pode ser também um interesse, por deixar quem ajuda realizado(a). Não é porque quer algo material. Não é porque é tapado(a) e pode ser manipulado(a). Explorado(a). Fazer bem a alguém pode fazer bem à pessoa. Se todos nós somos interesseiros por natureza, a natureza do interesse deve ser distinta: quem diz não ter interesses, mente.

Enfim, mulheres e homens podem ser interesseiros – não só as mulheres como tanto é frisado, à exaustão e, inclusive, pelas mulheres. Existem estudos na área da Economia que demonstram o empobrecimento repentino de mulheres que contribuíram a vida inteira, economicamente, com a manutenção da vida familiar e que na velhice, ou foram abandonadas ou viúvas, passaram a sofrer com a impossibilidade de suprir necessidades básicas ou mesmo, caíram na indigência. Estes economistas costumam aconselhar as gerações atuais a fazer alguma forma de previdência, investimento ou poupança com vistas a evitar um futuro degradante. São inúmeros os casos em que mulheres doentes são abandonadas com a prole, sem sequer saber do paradeiro da “espécie”. Destes casos ninguém fala. Nem as mulheres. É só dar uma passadinha no setor de Oncologia do Hospital das Clínicas e outros.E ouvir as histórias.

Por outro lado, há homens magníficos e companheiros, sim. Porque tudo é questão de caráter e não de gênero. Como os seus pais criaram é que define em parte o que que você é. Este alerta é acima de tudo para as próprias mulheres que deixam de ensinar os seus meninos a respeitar outras mulheres e de ensinar as suas meninas de que elas não precisam se estapearem na escola(3) por meninos, pois Amor não é guerra, ou nada do que disputas representam. Nós ocidentais temos o Ego maior do que o cérebro, queremos ser sempre o(a) mais, o(a) melhor, quando Ser pode ser bem mais simples. Apenas espontâneo. 



(1) - " Todas as mulheres são..."
(2) - ...é o meu sonho de consumo!
(3) - ...nem em lugar algum.



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