"(...) -Como eu gosto de você?

Eu gosto de você do jeito que você se gosta".

O Mundo no Engenho... e o ENGENHO do Mundo

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Os robôs mais sedutores das telas: delicadeza e engenho humano construindo a ficção.


"Esse proêmio (As mil e uma noites) é muito proveitoso para qualquer pesquisador que se interesse por narrativas, pois nos mostra um dos mais importantes aspectos da ficção - a capacidade de transformar a realidade, seja atuando sobre a subjetividade do ouvinte, seja agindo sobre a vida de um grupo social. As histórias de Sheherazade criaram um hábito, estabeleceram laços, selaram relações e deram forma a um universo imaginário compartilhado.(...)

O Proêmio que enfeixa As mil e uma noites não é o único exemplo de histórias que reconhecem o poder da ficção na transformação da realidade, ou, ao menos, na elaboração de conflitos envolvendo a vida dos homens." 

(Costa, p.20 / 21)



A Sétima Arte vem aguçando a nossa imaginação e a engenhosidade humana, envolvendo as mais variadas áreas do conhecimento, permitindo o aperfeiçoamento e a produção de técnicas cada vez mais sofisticadas. É a Ciência a serviço da Arte criando cenários tecnicamente adequados, ambientação histórica diversa, linguagem e indumentária pertinentes, trilhas sonoras de arrepiar... enfim, uma imensa equipe sincronizada buscando "materializar" numa película o idealizado por alguém. Claro, estamos falando de produções específicas, que envolvem o fantástico e a necessidade de se criar o que não existe além de dentro do nosso Espírito inquieto e rebelde... sim, a fantasia está mais para a rebeldia do que para o entorpecimento: ela nos faz efetivamente pensar e agir impulsionados pelos sonhos. É Ela que nos preenche os espaços vazios pela esperança movendo grandes pensadores e cientistas a usar todas as suas habilidades para idealizar engenhocas revolucionárias: essa é uma viagem por paixão e sem volta, aquela que verdadeiramente impulsiona todo o conhecimento e que, quando se realiza, muitas vezes é apropriada por aqueles que nunca conseguiram sonhar, que de tanta lama nos pés mal podem meditar a respeito dos próprios atos(1). Destes, talvez, possamos falar noutra ocasião, o que nos importa agora é salientar que as novas técnicas e tecnologias não são nem "anjos" e nem "demônios", são apenas instrumentos.

Quanto às questões tecnológicas e suas implicações na Indústria Cultural, relata COSTA:

"(..) A produção cinematográfica vem sofrendo a mesma transformação ( facilidades criadas pelas novas tecnologias digitais...). Lars Von Thiers afirmou que agora, com as câmeras digitais, uma grande quantidade de projetos que não encontravam acolhida nos grandes estúdios poderão vir a se realizar, graças às possibilidades técnicas e ao barateamento da produção que as novas tecnologias promovem (p.95)."

 Temos uma democratização - com as produções independentes -, e neste caso,se algumas portas se fecham, outras se abrem, basta repensar o caminho...

Então, o que há de tão encantador em nossos heróis de "lata"?
Está em nosso subconsciente.  Talvez possamos, por exemplo, dizer que diante de uma realidade onde Vênus e Marte se afastam para sistemas Solares diferentes, como não se emocionar com a paquera apaixonada do obsoleto Wall E pela grande e poderosa Eva? Quem precisa de fala se pode ver nos olhinhos cintilantes da robô um "sorriso" ou no de seu companheiro compactador Wall E, o terror, a paixão, a surpresa, a solidariedade em cada um dos movimentos? 


Quem assistiu e não se encantou com o "número 5" ou "Johnny Five", do filme Short Circuit (1986), o robô desengonçado feito para guerra que, após uma descarga elétrica ganhou vida e por ela lutou desesperadamente? Ou o do seriado "Perdidos no Espaço"(1965), o robô B9 - o avô dos autômatos mais famosos que povoam as nossas lembranças?(2) R2-D2 e o C-3PO, de "Star Wars" (1977) são, talvez, os mais amados pela nossa geração. O chorão poliglota foi reconstruído pelo prodigioso Anakin e faria par com um dos mais simpáticos robôs do cinema o R2-D2. 

  R2-D2 - No Porão... 2008 (FC)

Na Exposição "Guerra nas Estrelas", no Parque do Ibirapuera - Porão das Artes, em 2008 (SP/SP), as maiores atrações dos "baixinhos" e dos "grandinhos", sem dúvida, além dos imbatíveis Kenobi e Darth Vader(4), foram os robôs. Pelos corredores pude presenciar gente deslumbrada de todas as idades e sexos, gente que recontava a saga de cor e sabia os nomes de cada personagem, mas que literalmente babavam diante dos andróides - cujos atores deram duro em pelo menos 5 filmes para personificar! (5).

C-3PO - no Porão, 2008 (FC)

O menino andróide de Inteligência Artificial (2001) - o Pinóquio do futuro -, nos ofereceu momentos comoventes acerca de nossa espécie que torna tudo descartável, inclusive o amor(6). O Camaro de Transformers - Bumblebee - , arrebatou de vez muitos velhos e novos fãs, com sua fidelidade à missão e certo ar de inocência. Entretanto, o que diz se valeu ou não todo o trabalho é o sentimento com que o público sai do cinema em relação ao personagem que, às vezes, nem é o principal, se torna. Nestes casos é a forte imagem que imprime, que tem roubado cenas e corações...(C3PO, R2-D2, B9).

Porém, nem só de beleza e delicadeza vivem as nossas celebridades de "lata" e algo mais... Megatron e os decepticons ( Transformers /2007); Dom Aço e Madame Junta (Robôs /2005); Scamboli (Pinocchio 3000 / 2004); os tantos exterminadores - alguns até mais simpáticos do que outros -, dos filmes "Exterminador do Futuro" (1984 / 1991 / 2003 e 2010), etc. No primeiro da série o ator Arnold Schwarzenegger foi o exterminador, no segundo e terceiro, o protetor de John Connor. Desta série, o sacrifício do andróide - depois dele render tantas boas risadas -, é que foi apocalíptico! Um final muito bem elaborado, apesar de triste (7). O último contou com máquinas assustadoras, tanto quanto as de Matrix(1999) - aquelas identificadas no mundo real (8) -, e com outro sacrifício, o do ciborgue Marcus.

Muitos outros robôs, andróides e "cia" ficaram fora deste texto. Quem se lembrar de algum está convidado a nos escrever e melhorar este relato, pois é delicioso recordar de cada um deles, de suas respectivas épocas, das tecnologias disponíveis nelas, o caldo cultural que as envolvia e levou a adoção de roteiros, posturas  e outras opções na sua produção. É evidente que em alguns casos, o histórico de vida destes idealizadores pode recriar tempos e espaços que acabam por difundir suas crenças, conceitos, preconceitos... porém, este é o material do bom educador - ensinar a perceber em todas as formas de linguagem, o seu conteúdo e, no caso da imagem,  vê-la como documento polissêmico, que há de se interpretar.

"Como descendentes de caçadores, apreciamos o espírito alerta que nos indica como interpretar os rastros e como nos guiar entre as estrelas." 
(COSTA, p.107).
 
Por aqui nos despedimos, a fim de partirmos para nossa pŕoxima grande viagem: "O menino do Pijama Listrado" - de John Boyne... 
Até mais! 







Notas

(1)Muitos foram / são os visionários - de Da Vince a João Anônimo -, perdido em algum lugar sonhando em transformar o mundo. Que tenha OPORTUNIDADES.
E que suas ideias boas não sejam apropriadas de forma ruim por oportunistas, como normalmente acontece, levando-os ao isolamento, à doença, à morte por uma culpa que não têm.
(4) Será que por ele mesmo estar "robotizado"? A extrema contradição - os robôs humanizados versus o homem robotizado...
(5) Todavia, esta é uma outra questão: uma Arte por outra forma de Arte. As duas são importantes, o problema é que a segunda desemprega ou, emprega pessoal especializado em outras áreas ou, que tenham outras habilidades, também...
(6) Lembrando que o amor eterno aos pais foi programado ( ou será implantado como uma falsa memória?) e depois, diante da recuperação do filho biológico, estes pais simplesmente o abandonaram à sorte - tal como alguns humanos fazem com os seus bichos de estimação -, quando estes começam a dar trabalho...
(7) O relato de Sara acerca do sacrifício da máquina fecha com chave de ouro...

Veja também:









Bibliografia

COSTA, Maria Cristina Castilho.Ficção, comunicação e mídias. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2002 (Série Ponto Futuro).

Este livro é simplesmente ótimo e ponto.
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2 comentários:

Alessandro,Padilha Bella Martini. disse...

Grande amiga,
Agradeço tua presença no segmento de meu trabalho.É um prazer ter tua companhia.E parabenizo pelo seu trabalho.
Prosperidade,Sucesso e muita Luz sempre.

Beijo no coração.
Alessandro

equipe mamute disse...

Link inserido com sucesso no Mamute.

Boa semana 38
:-)

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