"(...) -Como eu gosto de você?

Eu gosto de você do jeito que você se gosta".

O Mundo no Engenho... e o ENGENHO do Mundo

sábado, 31 de maio de 2014

A fórmula da felicidade.


 "Felicidade" - Fênix - 2014

"A felicidade não está nas prateleiras e nem vem pronta e embalada para consumo. Que pena: bem que se quis...

E agora José?

Vai chorar, Maria?"

(Fênix Cruz)






segunda-feira, 26 de maio de 2014

Samurai High School - um dorama que é um bom paradidático.

Abertura: Samurai High School - Dorama Japonês

"(...) as pessoas escutam os fortes e os inteligentes(...)"
(Samurai H.S - Cap. 1 - Nakamura)

Nem os mais bonitos e nem os mais inteligentes - dentro do ponto de vista fechado e arcaico da educação formal -, eram os heróis protagonistas deste dorama (1) cômico, cujo  roteiro nos traz um rico material de estudos e reflexão paradidáticos. Retratando o cotidiano de uma escola particular no Japão e o sistema escolar a qual estava inserida, a história de Mochizuki Kotaro, Nakamura e Nagasawa resume muitas situações que estamos acostumados a ver também por aqui e que deixamos passar por não percebermos no momento em que ocorrem com tamanha clareza. É óbvio que a referencia "Samurai" não nos pertence e é um apelo específico ao espírito do jovem japonês moderno, esquecido dos códigos de conduta mais básicos e de seus profundos significados para com a Vida, contudo, em termos de "sistema", na prática, as semelhanças não podem ser desconsideradas, mesmo sendo o cenário o de uma ficção.

Quando ingressei no sistema público de ensino há muitos anos, como "contratada", recordo-me que inexperiente  e deveras perdida assisti à uma cena bem parecida com a do capítulo 7, quando a diretora da Sengoku se refere à turma "F" como sendo a "pior", a mais "despreparada", aquela que serviria de "capacho" para a turma dos "super talentos" ou, a dos alunos inteligentes e especiais. Ou seja, aqueles que correspondiam as expectativas dos adultos eram o tipo ideal. Os que não se ajustavam perfeitamente ao modelo, ao contrário, eram vistos como os desajustados delinquentes e, se tivessem alguma sorte, seriam os "braços" e "as pernas" dos futuros "cabeças" da sociedade. Em outras palavras, este foi o discurso que ouvi atônita e que revivi quando assisti a cena. O preconceito, a intolerância, a discriminação - em suma, a má formação humana - se reproduzindo num ambiente onde, definitivamente, deveriam ser enterrados. Mais tarde, essas classificações foram  abolidas e, mesmo  não existindo mais, os alunos ainda perguntavam se faziam parte dos "piores" da escola quando ficavam em salas com a designação "d" para frente. Às vezes, alguns gracejos escapavam quando alguém se referia ao comportamento de uma dessas turmas, já estigmatizando. E sabemos que  destes microcosmos(2) para o macro... a sociedade se faz sobre essas injustiças(3). 

 No dorama, os amigos adolescentes vivenciam as crises da idade, as paixões, a timidez, o medo, as dúvidas, enfim, os conflitos internos e externos que afetam a família (4) e toda a sociedade tirando-lhes as oportunidades mais justas - o que é ser um adulto? Questionam. A figura do samurai surge neste contexto em que os jovens desacreditando em tudo que observam a volta, ora se tornam agressivos a fim de galgar a qualquer custo fama, dinheiro, ostentação e poder, elementos típicos  de um pensamento fisiologista e utilitarista diluído na cultura capitalista que dominou hegemonicamente boa parte do mundo e de suas estruturas, ora mergulham na timidez, na depressão ou, tornam-se verdadeiros bobalhões como forma de fuga de uma realidade amarga, que não conseguem decidir enfrentar. A mensagem ao jovem japonês: as coisas todas mudam ao longo do tempo(5) e que passadas as gerações, o que não se deve é desperdiçar a vida ou a oportunidade de se viver num mundo em que a paz está alicerçada sobre o sacrifício de muitos, inclusive jovens, que pagaram com a vida o preço de um futuro. Este passado tão forte que ceifou ou aniquilou tantos durante os períodos das guerras, deveria guiar e inspirar os guerreiros de uma luta diária, digna e honrada, nos tempos de paz e não descambar para a indolência, para uma vida vegetativa baseada na aceitação de uma pre-determinação de fracasso. Se naqueles tempos não havia escolha, agora, há. E ninguém precisa morrer ou se perder na desonra.

 Dentro da nossa realidade, talvez, o que nos falte seja mais do que um passado de honra e dedicação ou uma intervenção do além, precisamos resgatar antes, as virtudes do coração, a amizade, valores fortes que possam trazer de volta o respeito já esquecido dentro de casa, no berço, e que cuja falta faz crescendo monstros descontrolados com fome e sede insaciáveis de um mundo artificial e vazio - no sentido ocidental. O fracasso que devemos enfrentar não é aquele que as crises que se avolumam nos trazem,  é o fracasso de não conseguirmos formar homens e mulheres íntegros, que tenham consciência de si e dos Outros, que saibam pensar e agir por si mesmos, que tenham a decência de não se aproveitar das situações para se prevalecer e sobrepor aos demais. Devemos enfrentar o fracasso da decadência humana. Enfim, é dar um outro significado a ser forte e inteligente, que não o uso da força ou o saber repetir adequadamente conhecimentos e informações consagrados. Um talento sem caráter poderá ser um inteligente assassino. A História teve muitos ditadores assim. Prefiro pensar em pessoas bem formadas por dentro que tenham a vontade de crescer e construir um mundo melhor pois, mesmo que pequenas as sua ações, no conjunto, poderão transformar, aos poucos, tudo.

Afinal:

 "(...) Acaso não somos seres humanos, porque não sabemos se temos ganhado ou perdido até a morte?
(Samurai H.S - Cap. 4 - Kotaro)




*O uso diferente da linguagem e o comportamento são pontos que podem ser discutidos de modo comparado (Japão Moderno/Antigo). Também, como era, por exemplo, a relação entre homem e mulher? Permanece a mesma? O que é possível observarmos?


 *Induzir resultados é montar um circo. E, geralmente é aquele que teme e tem complexos que ergue a lona, montando um espetáculo de sombras. Contudo, sem a luz, qual a verdade das sombras?


*Acerca das relações no trabalho, frente à necessidade e a dignidade da verdade: o que fazer? O que você faria? E lembrando da demissão do pai de Kotaro e suas consequências? 

Outro detalhe a ser observado é a reprovação da professora em relação à decoreba necessária para  a próxima etapa. Ao entregar o conteúdo ela é muito objetiva: é só decorar. É certo que não aceita, mas não vê outro remédio no momento para fazer os seus alunos  vencerem as muralhas das instituições e poder seguir, cada um, os próprios caminhos.


 *As cobranças... "o que é ser um adulto?" Será que somos um bom espelho para nossos(as) filhos(as)?





 ...poderá ser um bom adulto???


* A bibliotecária trata do cerne da questão: enquanto que hoje as pessoas estão preocupadas com o fútil e o supérfluo, o essencial se perde no trocar dos calendários.


A valorização dos antepassados e dos pais é reafirmada neste capítulo. Talvez, este seja um dos lados mais perversos da influência do capitalismo no Japão, este distanciamento do jovem com as suas raízes. A necessidade de trabalhar longas jornadas, o cansaço, o prover o lar e a família - como aqui em nosso país -, não deixa tempo para o diálogo e torna as relações superficiais ou ocasionais. É a qualidade que se dá a esse pequeno tempo que pode transformar tudo. E resgatar o que parece perdido.



"Para mim os dias eram longos e cheios de consequências" 

( Samurai - cap. final.)

Vejam o primeiro capítulo ( ... para que veja "esvazie a sua xícara"!)

https://www.youtube.com/watch?v=2ywElfi9mCY


 Ep 7 de 09



(1)Leiam a respeito de Doramas:
http://omundoasiatico.blogspot.com.br/2009/05/doramas.html
(2) É na primeira socialização que se forma o humano, isto é, na família. O trabalho dos pais é fundamental para dar as bases do desenvolvimento da pessoa, por vontade e escolhas, mais tarde. Mesmo com medo, o protagonista da trama enfrenta os problemas sem abrir mão de sua dignidade - a escola( na segunda socialização) que o acolhe não valoriza o seu histórico de vida, contudo, ele tinha ciência de que deveria ter uma conduta correta com os outros - faltava apenas, uma conduta correta para consigo mesmo...uma palavra. Um incentivo.
(3) Entendam: Ep 7 de 09
(4)
(5)As moças do Fã Clube discursam acerca disto; o rapaz oportunista do Clube de Golfe; o rapaz da Matemática contando com um mundo fácil a seus pés.
(5) O samurai apresenta um comportamento, uma linguagem, uma ética muito diferentes da do rapaz protagonista, o que nos permite discutir também estas questões com os nossos alunos.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O shinpo e as virtudes do coração.


Kensho-dojo 2014

Aprendemos no Ninjutsu que toda experiência é sagrada - "Ichigo Ichie"(1). O sorriso, a perseverança,  a alegria de estar se desenvolvendo e partilhando com os Outros momentos preciosos de nossas vidas - o "shinpo" - é o verdeiro tesouro de nossas existências (2). Percebo que é a troca recíproca em que mestre e discípulo são respeitosamente, um só, buscando o Tao, o Do, o Caminho para a iluminação interior. Cada um seguindo a sua própria natureza e valorizando a dos Outros, isto é, a diversidade dentro da unidade humana. Do ponto de vista ocidental, resguardando as profundas diferenças que exigem o descarte dos esquemas cartesianos de raciocínio, creio que posso compreender os significados traduzidos numa palavra bem conhecida: "insight". Significados que não são objetivos e que transcendem. Enfim, acompanhando os tempos, do passado fica o ensinamento daqueles que desenvolveram, lutaram e morreram para nos deixar um grande legado: a importância de estarmos vivos e de podermos lutar  sempre para sermos e fazermos felizes. Muito grata, buyu(s).


Mestres e amigos do Coração.

 Kunoichi, 2014

1 - A vida é uma oportunidade que deve ser apreciada com o coração - "kokoro". Petrocello. Christian.J. Ninpô e Budô - Artes Marciais Bujinkan, Editorial Dunken, fls. 76.

2 - As sete virtudes: honra, fidelidade, honestidade, benevolência, respeito, valor e retidão. Uma virtude pode se converter num verdadeiro tesouro - o "Shinpo". 
Idem. Idem. Editorial Dunken, fls. 28/32.

 Todos - presentes e não presentes -, um tesouro de Deus.


Leitura recomendada:

Petrocello. Christian. J. Ninpô e Budô - Artes Marciais Bujinkan, Editorial Dunken, fls. 76.





 Bufu Ikkan!





sábado, 3 de maio de 2014

A ideia e a(s) miséria(s).

 Falso ou verdadeiro? Foto: F.C - 2014 (sem edição).
Quem não se compromete 
consigo mesmo a produzir o novo, 
apenas se regozija 
ao reproduzir o velho. 
E recortando e colando 
muda o formato, jamais a forma.

Fênix

 Nas Artes.

No cotidiano
Na política
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