"(...) -Como eu gosto de você?

Eu gosto de você do jeito que você se gosta".

O Mundo no Engenho... e o ENGENHO do Mundo

domingo, 29 de maio de 2011

Contradição.

 O moço. F.C, 2011 -

Aflora
E de mim não vai embora
A lembrança daquele olhar:
Foi ciranda sem cirandar - 
Brincadeira fora de hora
Que, de repente, vem e devora
Todo encanto com que eu vinha...
Minha ilusão, apenas, minha!

Quando as manhãs se abrem
E os sonhos se fecham,
Não há cupidos ou flechas
E, sem outro jeito,
Finjo que rejeito
O que tanto desejei ganhar...

Assim, eu  me calo,
Ascendo ao pedestal com meu halo
E, disfarço...
Que estou muito bem - sem meu par!


 O moço ( Cubista / Gimp ) -  F.C, 2011 - 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ausências

 Desaparecidos, F.C. 2011.
O meu peito sangra por dentro:
Rima a palavra - não o sentimento -,
E a ferida se lava no fluxo,
Sem tempo para unguentos...
Apenas lateja
Quando projeto o seu rosto
Onde quer que eu esteja;
Quando penso no desaparecimento,
Na cova nem sempre rasa,
Na lápide sem cimento,
Sem honras, sem bandeiras, sem hinos...
Em terras profanadas
Onde também jaz estirada
A dignidade humana.
Quando vejo essa estrada
Que absorve, infame,
Cada vestígio, cada pegada,
Que me consome as chances
E reduz a esperança às mesmas cartas marcadas...
Desconheço a natureza do meu viver.

E sem sentido, sob a força desse abismo invertido
Sou Eu que me descubro morta.

 Desaparecidos 1, F.C. 2011.

http://www.mixpod.com/playlist/81991671 

domingo, 22 de maio de 2011

Quando ainda é dúbio...



Confusões - Gimp, FC, 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Amigo, você é...

 "Como Saber?", FC, 2001



**********************************************
 Amigos blogueiros, enquanto não recebo o meu computador do conserto posto graças à bondade de um amigo que me permite usar o seu laptop. Não devo abusar da boa vontade dele, assim, ainda ficarei devendo as visitas. Aguardem que em breve estaremos de volta!

domingo, 15 de maio de 2011

Saídas


 


 Parabéns para mim
Pelas escolhas seguidas:
Tantas dificuldades -
Muitas portas - poucas saídas.

Em segundos, o que se apaga?
A Vela que vela o velado
O sonho que tive acordado
Um ano...
Outro plano que caiu no descaso.

Parabéns para mim 
Livre, na síndrome de Adão:
Operário burguês
Fluente em inglês
Homem - padrão.

Parabéns aos fins
Que quis e aparento viver -
Cidadão de direito e dever -,
Mais dever, pouco Viver
Só dever, sempre a dever...

Dever é preciso
Viver não é preciso.

domingo, 8 de maio de 2011

O amor nosso de cada dia...

Amor. Fênix, 2011.

"Tens o dom divino de ser mãe. 
Em ti está presente a humanidade."

Cora Coralina 
( Viver com Sabedoria, p.234 )

***
Em toda mulher - mãe ou não, está presente a humanidade. 
Basta que oriente para a vida, alimente o espírito faminto de um ser que nasce frágil, indefeso e dependente. Não importa se biológica - Mãe é aquela que conduz até que se possa agir por si, caminhar por trilhas incertas que exijam auto-confiança e determinação, exemplos de vida.

É portanto, quem ensina do berço à amar por seu amor. 

Nem toda mulher é Mãe, ainda que tenha filhos.
Porém, toda Mãe é uma grande Mulher. 







Que o seu maior presente seja o Futuro.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Os robôs mais sedutores das telas: delicadeza e engenho humano construindo a ficção.


"Esse proêmio (As mil e uma noites) é muito proveitoso para qualquer pesquisador que se interesse por narrativas, pois nos mostra um dos mais importantes aspectos da ficção - a capacidade de transformar a realidade, seja atuando sobre a subjetividade do ouvinte, seja agindo sobre a vida de um grupo social. As histórias de Sheherazade criaram um hábito, estabeleceram laços, selaram relações e deram forma a um universo imaginário compartilhado.(...)

O Proêmio que enfeixa As mil e uma noites não é o único exemplo de histórias que reconhecem o poder da ficção na transformação da realidade, ou, ao menos, na elaboração de conflitos envolvendo a vida dos homens." 

(Costa, p.20 / 21)



A Sétima Arte vem aguçando a nossa imaginação e a engenhosidade humana, envolvendo as mais variadas áreas do conhecimento, permitindo o aperfeiçoamento e a produção de técnicas cada vez mais sofisticadas. É a Ciência a serviço da Arte criando cenários tecnicamente adequados, ambientação histórica diversa, linguagem e indumentária pertinentes, trilhas sonoras de arrepiar... enfim, uma imensa equipe sincronizada buscando "materializar" numa película o idealizado por alguém. Claro, estamos falando de produções específicas, que envolvem o fantástico e a necessidade de se criar o que não existe além de dentro do nosso Espírito inquieto e rebelde... sim, a fantasia está mais para a rebeldia do que para o entorpecimento: ela nos faz efetivamente pensar e agir impulsionados pelos sonhos. É Ela que nos preenche os espaços vazios pela esperança movendo grandes pensadores e cientistas a usar todas as suas habilidades para idealizar engenhocas revolucionárias: essa é uma viagem por paixão e sem volta, aquela que verdadeiramente impulsiona todo o conhecimento e que, quando se realiza, muitas vezes é apropriada por aqueles que nunca conseguiram sonhar, que de tanta lama nos pés mal podem meditar a respeito dos próprios atos(1). Destes, talvez, possamos falar noutra ocasião, o que nos importa agora é salientar que as novas técnicas e tecnologias não são nem "anjos" e nem "demônios", são apenas instrumentos.

Quanto às questões tecnológicas e suas implicações na Indústria Cultural, relata COSTA:

"(..) A produção cinematográfica vem sofrendo a mesma transformação ( facilidades criadas pelas novas tecnologias digitais...). Lars Von Thiers afirmou que agora, com as câmeras digitais, uma grande quantidade de projetos que não encontravam acolhida nos grandes estúdios poderão vir a se realizar, graças às possibilidades técnicas e ao barateamento da produção que as novas tecnologias promovem (p.95)."

 Temos uma democratização - com as produções independentes -, e neste caso,se algumas portas se fecham, outras se abrem, basta repensar o caminho...

Então, o que há de tão encantador em nossos heróis de "lata"?
Está em nosso subconsciente.  Talvez possamos, por exemplo, dizer que diante de uma realidade onde Vênus e Marte se afastam para sistemas Solares diferentes, como não se emocionar com a paquera apaixonada do obsoleto Wall E pela grande e poderosa Eva? Quem precisa de fala se pode ver nos olhinhos cintilantes da robô um "sorriso" ou no de seu companheiro compactador Wall E, o terror, a paixão, a surpresa, a solidariedade em cada um dos movimentos? 


Quem assistiu e não se encantou com o "número 5" ou "Johnny Five", do filme Short Circuit (1986), o robô desengonçado feito para guerra que, após uma descarga elétrica ganhou vida e por ela lutou desesperadamente? Ou o do seriado "Perdidos no Espaço"(1965), o robô B9 - o avô dos autômatos mais famosos que povoam as nossas lembranças?(2) R2-D2 e o C-3PO, de "Star Wars" (1977) são, talvez, os mais amados pela nossa geração. O chorão poliglota foi reconstruído pelo prodigioso Anakin e faria par com um dos mais simpáticos robôs do cinema o R2-D2. 

  R2-D2 - No Porão... 2008 (FC)

Na Exposição "Guerra nas Estrelas", no Parque do Ibirapuera - Porão das Artes, em 2008 (SP/SP), as maiores atrações dos "baixinhos" e dos "grandinhos", sem dúvida, além dos imbatíveis Kenobi e Darth Vader(4), foram os robôs. Pelos corredores pude presenciar gente deslumbrada de todas as idades e sexos, gente que recontava a saga de cor e sabia os nomes de cada personagem, mas que literalmente babavam diante dos andróides - cujos atores deram duro em pelo menos 5 filmes para personificar! (5).

C-3PO - no Porão, 2008 (FC)

O menino andróide de Inteligência Artificial (2001) - o Pinóquio do futuro -, nos ofereceu momentos comoventes acerca de nossa espécie que torna tudo descartável, inclusive o amor(6). O Camaro de Transformers - Bumblebee - , arrebatou de vez muitos velhos e novos fãs, com sua fidelidade à missão e certo ar de inocência. Entretanto, o que diz se valeu ou não todo o trabalho é o sentimento com que o público sai do cinema em relação ao personagem que, às vezes, nem é o principal, se torna. Nestes casos é a forte imagem que imprime, que tem roubado cenas e corações...(C3PO, R2-D2, B9).

Porém, nem só de beleza e delicadeza vivem as nossas celebridades de "lata" e algo mais... Megatron e os decepticons ( Transformers /2007); Dom Aço e Madame Junta (Robôs /2005); Scamboli (Pinocchio 3000 / 2004); os tantos exterminadores - alguns até mais simpáticos do que outros -, dos filmes "Exterminador do Futuro" (1984 / 1991 / 2003 e 2010), etc. No primeiro da série o ator Arnold Schwarzenegger foi o exterminador, no segundo e terceiro, o protetor de John Connor. Desta série, o sacrifício do andróide - depois dele render tantas boas risadas -, é que foi apocalíptico! Um final muito bem elaborado, apesar de triste (7). O último contou com máquinas assustadoras, tanto quanto as de Matrix(1999) - aquelas identificadas no mundo real (8) -, e com outro sacrifício, o do ciborgue Marcus.

Muitos outros robôs, andróides e "cia" ficaram fora deste texto. Quem se lembrar de algum está convidado a nos escrever e melhorar este relato, pois é delicioso recordar de cada um deles, de suas respectivas épocas, das tecnologias disponíveis nelas, o caldo cultural que as envolvia e levou a adoção de roteiros, posturas  e outras opções na sua produção. É evidente que em alguns casos, o histórico de vida destes idealizadores pode recriar tempos e espaços que acabam por difundir suas crenças, conceitos, preconceitos... porém, este é o material do bom educador - ensinar a perceber em todas as formas de linguagem, o seu conteúdo e, no caso da imagem,  vê-la como documento polissêmico, que há de se interpretar.

"Como descendentes de caçadores, apreciamos o espírito alerta que nos indica como interpretar os rastros e como nos guiar entre as estrelas." 
(COSTA, p.107).
 
Por aqui nos despedimos, a fim de partirmos para nossa pŕoxima grande viagem: "O menino do Pijama Listrado" - de John Boyne... 
Até mais! 







Notas

(1)Muitos foram / são os visionários - de Da Vince a João Anônimo -, perdido em algum lugar sonhando em transformar o mundo. Que tenha OPORTUNIDADES.
E que suas ideias boas não sejam apropriadas de forma ruim por oportunistas, como normalmente acontece, levando-os ao isolamento, à doença, à morte por uma culpa que não têm.
(4) Será que por ele mesmo estar "robotizado"? A extrema contradição - os robôs humanizados versus o homem robotizado...
(5) Todavia, esta é uma outra questão: uma Arte por outra forma de Arte. As duas são importantes, o problema é que a segunda desemprega ou, emprega pessoal especializado em outras áreas ou, que tenham outras habilidades, também...
(6) Lembrando que o amor eterno aos pais foi programado ( ou será implantado como uma falsa memória?) e depois, diante da recuperação do filho biológico, estes pais simplesmente o abandonaram à sorte - tal como alguns humanos fazem com os seus bichos de estimação -, quando estes começam a dar trabalho...
(7) O relato de Sara acerca do sacrifício da máquina fecha com chave de ouro...

Veja também:









Bibliografia

COSTA, Maria Cristina Castilho.Ficção, comunicação e mídias. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2002 (Série Ponto Futuro).

Este livro é simplesmente ótimo e ponto.
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