"(...) -Como eu gosto de você?

Eu gosto de você do jeito que você se gosta".

O Mundo no Engenho... e o ENGENHO do Mundo

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Cidade e as Águas sob o olhar de um poeta: Mário de Andrade, 1893 a1945 (Primeira Parte).


Rua 25 de março, 1898 - Rio Tamanduateí - Várzea do Carmo São Paulo - Capital - Brasil.
Reprodução doada em 2004 e melhorada (GIMP): desconheço a fonte.

Pretendemos identificar nas obras “Paulicéia Desvairada” e “Lira Paulistana” as percepções mariodeandradianas a respeito da cidade e de todos os seus elementos constitutivos que, aceleradamente mutantes retratam com clareza não só o estado emocional/psíquico do autor, como principalmente, as múltiplas expressões materiais da cidade que serão construídas histórico e geograficamente, num processo que retrata duas fases marcantes em sua autobiografia: antes e depois da Revolução de 30(1).
Abordaremos um dos signos mais fundamentais de suas obras – os rios -, retratados nos poemas “Tietê”, “Anhangabaú” e “A Meditação sobre o Tietê”, cujas entrelinhas nos revelam em primeiro plano uma mudança radical de humor no autor perante o turbilhão de acontecimentos vivenciados pela cidade e pelo Brasil, inserido no contexto mundo. O primeiro período, até 30, é marcado pela “esperança”, depois, pela franca “desilusão” diante das evidencias que vislumbra as vésperas de sua morte, em fevereiro de 1945: “ a impossibilidade da literatura, sozinha, resolver os problemas de uma realidade tão dura que não pode ser mudada de forma simbólica(...)” (2). Todavia, em ambos os momentos, o tom crítico e extremamente lúcido norteou seu raciocínio, tornando sua obra artística a expressão e a marca de um verdadeiro “visionário”. A partir dela, compreendemos, hoje, o sentido dado às águas pelas gerações seguintes.


               Capa da Edição de:"Uma  'autobiografia' de Mário de Andrade - Centro Cultural São Paulo - 10 de agosto a 02 de outubro de 1992"
 
Mário Raul Moraes de Andrade nasceu em 1893 e faleceu em 1945 - de enfarte do miocárdio -, em sua residência na Barra Funda.
Suas obras, em âmbito geral, são de forte teor crítico social e cultural. Polígrafo – deixou vasto acervo literário, poético, fotográfico, folclorístico, etc. Nosso enfoque são os poemas das obras “Paulicéia Desvairada” (3) e o da “Lira Paulista” – “A Meditação sobre o Tietê” -, o último escrito pelo autor às vésperas de sua morte. A ópera-coral “Café”, que tratava do olhar do homem comum, das massas operária migrante e imigrante negligenciadas pela elite econômica e política, ficou inacabada(4).

As idéias principais estão marcadas por duas fases distintas de análise. A primeira retrata um Brasil e uma cidade – São Paulo -, se metamorfoseando com a introdução de novas tecnologias, corporações estrangeiras, costumes e gentes diversos vindos de toda a parte e do mundo aglutinando-se nas fábricas e bairros operários em formação, mesclando línguas, culturas, sofrimentos e emoções. Fato vivenciado e retratado por Mário em sua produção, pois, nascido em São Paulo, na casa da Rua Aurora, 320, pôde comparar os traços de sua cidade como observador da infância/adolescência até a maturidade, representando em cada linha as “rupturas” ou as “permanências” com o passado, fosse cultural, histórica ou geográficas (5):

Anhangabaú

Parques do Anhangabaú nos fogaréus da aurora...
Oh larguesas dos meus itinerários!...
Estátuas de bronze nu correndo eternamente,
Num parado desdém pelas velocidades...

(...)

Estes meus parques do Anhangabaú ou de Paris,
Onde as tuas águas, onde as mágoas dos teus sapos?
“Meu pai foi rei!
Foi. – Não foi. Foi. – Não foi.”
Onde as tuas bananeiras?
Onde o teu rio frio encanecido pelos nevoeiros,
Contando histórias aos Sacis?...
Meu querido palimpsesto sem valor!
Crônica em mau latim
Cobrindo uma écloga que não seja a de Virgílio!...


Foto: Fênix, 2004, Vale do Anhangabaú /SP/SP - Brasil.  Abaixo de toneladas de concreto jaz o rio dos "maus espíritos"... Naquele momento para Mário, a paisagem era mutante.

Este passado não é desprezado pelo poeta. É considerado com todos os seus acertos e vícios na reconstrução histórica do povo brasileiro e do espaço, que cede aos apelos do capital e da mentalidade estrangeiras européias. As idéias transplantadas de Progresso e Civilidade esmagam a face da cidade colonial e imperial, sendo esmagadas tão brevemente, pelas da cidade industrial, pós Depressão de 1929, pondo fim ao grande ícone da Primeira República – a Majestade Café.
Em “Anhangabaú”, a domesticação do espaço e a imitação de modelos externos que expropriaram a face natural do vale dos “maus espíritos” indígena, já esquecidos os antigos nevoeiros e lendas de Sacis, impensáveis à explosão do núcleo, o faz agora uma espécie de “manuscrito de poesia pastoril e sem valor”, que pode ser reescrito mediante o Novo que se impõe e modifica a cultura, a geografia e mata a história indígena, mestiça e folclórica típica do brasileiro...
Construir o futuro não seria descartar o passado e tudo a ele relacionado como vital, mas assumi-lo desfazendo erros, sobretudo, em termos de identidade e reconhecimento da terra, suas gentes e particularidades.

Tietê

Era uma vez um rio...
Porém os Borba Gatos dos ultranacionais esperiamente!
Havia nas manhãs cheias de Sol do entusiasmo
As monções da ambição...
E as gigantes vitórias!
As embarcações singravam rumo do abismal Descaminho.

Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas... Povoar!...
Ritmos de Brecheret!...E a santificação da morte!
Foram-se os ouros!...E o hoje é da turmalinas!...
Nadador! Vamos partir pela via dum Mato Grosso?

(...)


Rio Tietê em cartão postal entre 1910 e 1920, imagem obtida do livro "Lembranças de São Paulo", disponível na bibliografia.

Em “Tietê”, o rio está morrendo. Desprezado, mesmo diante de tudo que tenha representado nos primeiros tempos da Vila de São Paulo e para a interiorização do Brasil, a “via” para o brilho do ouro, onde se enfrentavam os “descaminhos”, ganha num só movimento a cor “opaca” das turmalinas. Simbolismos nítidos de quem percebe a transformação de papéis e significados... Encerrada a sua função primeira no período colonial – a das “monções da ambição” -, a “santificação da morte” pela Modernidade e Progresso.
Trocam-se os personagens que “se dizem” construtores da história e da cidade, mas os discursos e as relações de exploração permanecem as mesmas, apenas sob a nova embalagem:

Ode Burguês

Eu insulto o burguês!O burguês-níquel,
O burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem curva! O homem nádegas!
O homem sendo francês, brasileiro, italiano,
É sempre um cauteloso pouco a pouco!


Talvez, por tudo isto, Mário não tenha aceitado o rótulo de artista “futurista” dado por Picchia e Oswald. Percebeu de início a armadilha oculta e, logo, usou de ironia para com o conceito, por conhecer seus obstáculos e a força embutida no termo(6), nada condizente com sua própria visão, como percebemos na análise comparativa entre Mário e Marinetti:

Manifesto Futurista, artigos 8 a 11.
8.    Estamos no promontório extremo dos séculos!… Porque deveremos olhar para detrás das costas se queremos arrombar as misteriosas portas do impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Nós vivemos já no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade.
9.    Nós queremos glorificar a guerra, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas idéias por que se morre e o desprezo da mulher.
10.    Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo o tipo e combater o moralismo, o feminismo e todas as vilezas oportunistas ou utilitárias.
11.    Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela revolta; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas; as gulosas estações de caminho-de-ferro engolindo serpentes fumegantes; as fábricas suspensas das nuvens pelas fitas do seu fumo; as pontes que saltam como atletas por sobre a diabólica cutelaria dos rios ensolarados; os aventureiros navios a vapor que farejam o horizonte; as locomotivas de vasto peito, galgando os carris como grandes cavalos de ferro curvados por longos tubos e o deslizante vôo dos aviões cujos motores drapejam ao vento como o aplauso de uma multidão entusiástica(7).
Mário de Andrade como observador da cidade e dos homens em suas múltiplas facetas, elaborou a sua obra como uma autobiografia. Ou seja, relatou o que sentiu, viu e experenciou em seu tempo, tornando seu trabalho “voz” silenciosa de parte da sociedade esmagada em todos os tempos e espaços construídos historicamente, até a sua época. “Eu - Mário”, “Eu –sociedade”, “Eu – outro” excluído tem a finalidade de contribuir para a mudança estrutural da mentalidade, já que transitando entre os dois mundos, o de sua condição mais humilde e o da burguesia que lhe subsidiava, possuía os parâmetros destas realidades.


Foto: Fênix, São Paulo - Centro, 2010 - A Cidade Concreto(a)...

Em “Lira Paulistana”, o poeta já se opõe a “burguesia de Higienópolis”, do “café”, a burguesia geral que busca a “modernização conservadora” fazendo vistas grossas a miséria que se avoluma...

Eu nem sei se vale a pena
Cantar São Paulo na lida,
Só gente muito iludida
Limpa o gosto e assopra a avena,
Esta angústia não serena,
Muita fome pouco pão,
Eu só vejo na função
Miséria, dolo, ferida,
Isso é vida?

São glórias desta cidade
Ver a arte contando história,
A religião sem memória
De quem foi Cristo em verdade,
Os chefes nossa amizade,
Os estudantes sem textos,
Jornalismo no cabresto,
Tolos contando vitória,
Isso é glória?

(...)
Enquanto se insulta o Eixo,
Lights, tramas, corporation,
E a gente de trás pra trás,
Isso é paz?

(...)
Sem paz, sem amor, sem glória,
Se diz terra progredida,
Eu pergunto:
Isso é vida?

Este é um período de visão dura e muito crítica para consigo mesmo: intelectual e crítico, mas vinculado à burguesia paulista, dela dependente(8),como se contribuindo para a reprodução de tudo aquilo que discorda e condena.
Esse “insight” a respeito de sua situação ou posição nessa sociedade que se degrada e mantêm os velhos problemas desde o seu descobrimento – a exploração e a dependência -, pode ter vindo relativamente tarde para Mário.
Em “A Meditação sobre o Tietê”, o seu último poema, temos a cartase final e reveladora desta constatação. Ele deixava a vida e a cidade representada nas águas do Tietê, ambos doentes, esgotando em si mesmos suas angústias e isolamento:

A Meditação sobre o Tietê


É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rio
Murmura num banzeiro de água pesada e oleosa.
(...)
É um susto. E num momento, o rio
Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingam
Agora, arranha-céus valentes donde saltam
Os bichos blau e os punidores gatos verdes,
Em cânticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade... É a emaranhada forma
Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
E se aclama e se falsifica e se esconde. E se deslumbra.
(...)
Destino, predestinações... Meu destino. Estas águas
Do meu Tietê são abjetas e barrentas,
Dão febre, dão a morte decerto, e dão garças e antíteses.
(...)
Isto não são águas que se beba, conhecido, isto são
Águas do vício da terra. Os jabirus e os socós
Gargalham depois morrem. E as antas e os bandeirantes e os ingás,
Depois morrem. Sobra não. Nem sequer o Boi Paciência
Se muda não. Vai tudo ficar na mesma, mas vai!... e os corpos
Podres envenenam estas águas completas no bem e no mal.
Isto não são águas que se beba, conhecido! Estas
Águas são malditas e dão morte, eu descobri! E é por isso
Que elas se afastam dos oceanos e induzem à terra dos homens,
(...)
A culpa é tua, Pai Tietê? A culpa é tua
Si as tuas águas estão podres de fel
E majestade falsa? A culpa é tua
(...)

Si todos esses dinossauros imponentes de luxo e diamante,
Vorazes de genealogia e de arcanos,
Quiserem reconquistar o passado...
Eu me vejo sozinho, arrastando sem músculo
A cauda do pavão e mil olhos de séculos,
Sobretudo os vinte séculos de anticristianismo
Da por todos chamada Civilização Cristã...

(...)

Transfigurado além das profecias!
Eu recuso a paciência, o boi morreu, eu recuso a esperança.
Eu me acho tão cansado em meu furor
As águas apenas murmuram hostis, água vil mas turrona paulista
Que sobe e se espraia, levando as auroras represadas
Para o peito dos sofrimentos dos homens.
... e tudo é noite. Sob o arco admirável
Da Ponte das Bandeiras, morta, dissoluta, fraca,
Uma lágrima apenas, uma lágrima,
Eu sigo alga escusa nas águas do meu Tietê.


Sarcástico e amargurado, não conta mais com a alegria que regeu a sua produção anterior.


Foto: Rio Tamanduateí, 2004, vista da Estação D. pedro II do Metrô.  O rio das "Sete Voltas" retificado e canalizado.
Rio  Tamanduateí em cartão postal. Ilha dos  Amores - Parque D Pedro II, aproximadamente 1910. imagem obtida do livro "Lembranças de São Paulo", disponível na bibliografia
(livro é magnífico: contém parte da lembrança iconográfica 
da cidade através dos seus cartões postais. 
Comparem as imagens...).

Foto:  fundos do Páteo do Colégio, Fênix, 2004. Antiga várzea do Rio Tamanduateí ( Várzea do Carmo).


Até o início do século XX. O Tietê era trafegado por jangadeiros e canoeiros que transportavam todo o tipo de mercadoria. As suas margens, piqueniques, passeios de pedestres, pescarias nas barrancas, esportes náuticos. Estes últimos duraram de 1880 até 1889, quando medidas policiais proibiram a natação no Tamanduateí e Tietê, talvez pelos espetáculos de nudismo ou, pelo perigo enfrentado pelos menores. Os Clubes de Remo surgiram em 1899, mas também não estavam destinados a durar muito.Em 1933 a publicação oficial A Capital de São Paulo já atestava a existência de ”resíduos das fábricas” e a morte dos peixes(9). O rio que alimentou a população mais pobre de São Paulo estava morrendo. As instalações recreativas ligadas a ele desapareceram, suas margens arborizadas foram sistematicamente destruídas e ninguém mais passeava por elas. Mário assiste todo esse processo de destruição causado pelas novas forças econômicas que se impunham sem freios sobre a cidade.
Por outro lado, enquanto a especulação imobiliária ergue arranha-céus a fim de aproveitar cada metro quadrado de infra-estrutura instalada no velho centro(10), a oligarquia absenteísta de cafeicultores tradicional – os “dinossauros” que cambaleiam tentando sobreviver aos tempos alucinantes e traiçoeiros -, se indispõe contra os imigrantes enriquecidos da época, industriais e mecenas. A glória de “antes” e a gloria de “agora”, às vésperas da morte do autor, são simulacros de uma tal realidade “espetacular” da civilização citadina, agora, ávida pela Modernidade. E mais, da Civilização Cristã – “anticristo”, por valorizar atitudes mesquinhas e egoístas na busca de garantir o status quo por meio do lucro, do domínio dos meios de produção e da política.

Quando comparamos as informações dadas pelos poemas e os dados geo -historicamente construídos constatamos a gama de discussões culturais e geográficas que podem ser destacadas numa leitura mais atenta. Observados os pontos pessoais que podem influenciar na produção artística, revisto o contexto da vida e do local/ região/país, ainda, as influencias externas e socioeconômicas em que o autor está inserido, toda a construção do espaço material e ambiental paulistano está presente.
Citando Segall, 1824 “Cada homem é filho de seu tempo e a sua expressão é a expressão desse tempo”. Enfim, a arte Mariodeandradiana pretendeu ser contestadora e subversiva, legando-nos as impressões de uma cidade “movediça”, de homens, rios e operários sem “vez” ou “voz”, anônimos ou “à parte”, como se figurantes ocupando a revelia, o espaço...

Síntese

O homem modifica a Natureza e se modifica a mesma medida, ao produzir historicamente o espaço material e sócio-cultural. Cada sociedade e, em seu interior, cada indivíduo tem uma forma específica de apreender o espaço e representar a paisagem, sendo que é exatamente por essa visão particular que o mesmo espaço não tem igual valor e significado para todos que partilham o lugar. Tratar esse espaço como representação comum, portanto, seria um erro e a solução advinda sempre deficiente para aqueles negligenciados por essa generalização.
O que individualiza essa percepção é o posicionamento político, social, econômico e a base cultural vivenciada e representada pelo indivíduo em suas obras. É preciso frisar, entretanto, que percepção não é conhecimento(11) e a significação é “atribuída” - não “real” -, como poderíamos numa primeira leitura, supor. Deste modo, para a corporação Light, as águas representavam a lógica dos lucros; para o povo das várzeas, as enchentes, os mosquitos, as doenças, as carências no abastecimento de água potável ( depois que o rio perdeu suas potencialidades...); para a elite dirigente, o obstáculo à expansão física da cidade, mas também, e contraditoriamente, a própria e tão sonhada “civilidade”. Estes são alguns exemplos: cada agente nesse espaço urbano, um interesse. E os comportamentos individuais como escolhas pessoais resultam nas associações e grupos que contemplam reforçando e dando suporte a esses interesses.
São essas análises – posicionamento político, social, econômico e base cultural -, fundamentais para que se possa indicar não o que “foi” a cidade de são Paulo à época de Mário, e sim, uma das muitas formas de percepção e representação espacial produzida sobre a mesma. A análise do espaço sob o ângulo cultural deve considerar as múltiplas variáveis, nunca ser usada de maneira isolada ou genérica, todavia, não deve ser desconsiderada, pois se torna necessária para a compreensão do mundo (12) à imagem das pessoas que o constroem. A paisagem como “um texto a ser lido ( e interpretado...) ou “suporte das representações”(13) merece condutas que contextualizem o individuo e a coletividade onde está inserido, caso contrário, a Geografia será ideológica e fragmentada(14).

Notas
(1) - Embora apoiasse a Revolução de 30, sete anos mais tarde desaprovou o Estado Novo de Vargas.
(2) - citado por José Antonio Pasta Junior, em entrevista, www.mec.gov.br,s/d.
(3) - "Tietê', "Anhangabaú" e como auxiliares na descrição do ambiente cidade / produção social / econômica - "Rua são Bento", "Paisagem n. 1", "Ode ao burguês", "Domingo".
(4) www.iar.unicamp.bralunos/cafe/breve-comentário.
(5) As "rupturas geográficas" numa cidade que, como citava Alcântara Machado, " Aqui, as casas vivem menos do que os homens. E se afastam para alargar as ruas. Nem há nada acabado, definitivo" Citado em OLIVEIRA. Fernando Milliet - Banespa 60 anos. Ainda, a "permanência histórica" da exploração de uma maioria por uma elite econômica e política; e da dependência do capital estrangeiro, mais contido com as idéias nacionalistas de Vargas.
(6) MONTEIRO. Francisco C. Manhães. Poeta Futurista? www.quixote.com.br.
(7) fonte: DHNET.
(8) MONTEIRO. Francisco C. Manhães. Idem.
(9)GERODETTI & CORNEJO. Lembranças de São Paulo: Solares, 2002.
(10) só a partir dos anos 30 que o centro começou a se deslocar para o outro lado do Anhangabaú.
(11)SANTOS. Milton. Por uma Geografia Nova: da Crítica da Geografia para uma Geografia Crítica. São Paulo: Hucitec, EDUSP, 1978.
(12) CORREA. Roberto Lobato. Manifestação da Cultura no Espaço. Rio de janeiro: EDUERJ, 1999.
(13)  MAIA. Rita Maria de Abreu & outros. Idem.
(14)SANTOS. Milton. Idem.
(15)ALMANAQUE BRASIL DE CULTURA POPULAR. ano 5, 58, janeiro de 2004, p17.

Bibliografia

CORREA. Roberto Lobato. Manifestação da Cultura no Espaço. Rio de janeiro: EDUERJ, 1999.

CUSTÓDIO. Vanderli. A questão das Águas na RMSP. Projeto Educação Ambiental 2. LAPECH; AGBSP, DEZ, 2004.

GERODETTI & CORNEJO. Lembranças de São Paulo: Solares, 2002.

LOPEZ. Telê Ancona. Uma autobiografia de Mário de Andrade. SP: PMSP / SMC /USP/IEB/CCSP – 10 de agosto a 02 de outubro de 1992.

OLIVEIRA. Fernando Milliet. BANESPA 60 ANOS. SP: Projeto PW, 1996.

PRADO JR. Caio. A cidade de são Paulo. São Paulo, SP: Brasiliense, 1989.

SANTOS. Milton. Por uma Geografia Nova: da Crítica da Geografia para uma Geografia Crítica. São Paulo: Hucitec, EDUSP, 1978.



Desculpem-me pela formatação: infelizmente ela não se manteve...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sinergia

 Desenho: Fênix, "Artefato(s) feminino(s)", 2010.

Artesã,
As cores enalteço
Quando fio-a-fio teço
O cobertor de lã.

E aqueço com apreço,
Diga-se inimigo ou fã:
O humano não tem preço
Meu amor é meu afã.

Das tramas desfaço o que é preciso,
Refaço costurando alguns princípios,
Faço é da Terra O Paraíso.

E não me cabe dilacerar coração já esgarçado,
Pois, Deus está em mim,
E, como todos, também sou ARTEFATO...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Haicai - I

 Foto: Delicadezas... , Fênix, 2009.

Partículas delirantes


O Cometa vai...
Vem seu brilho num rastilho:
Pólvora no Céu!


Foto: Fênix, "Pólvora num Céu de Fantasias", 2010, SP / SP


Foto: Fênix, Parque do Pedroso, 2010, Santo André /SP

Fluida

A palha dourada...
O vento é o seu templo.
Eu? Enamorada.


Foto: Fênix, Parque do Pedroso, 2010, Santo André /SP

Natureza Humana I


O coração arca:
O Soneto de Petrarca,
Sabe-se, abarca...


Fênix

domingo, 16 de maio de 2010

 Desenho: Fênix, 2009 ( detalhe da capa de A Pena mágica e o Portal das Fantasias)



" O problema é a minha língua: ela que não me deixa pensar em paz!"

( A Pena Mágica e o Portal das Fantasias )

sábado, 15 de maio de 2010

Sim, surpreenda-se...

 Foto: "Jardim Secreto", Fênix, 2008.

Ao poente... a meditação.
Tenho que ser guerreira
Mesmo que o meu coração não queira -
A contatação!


Eu sei... tenho que vencer o estigma,
Florear mais as trilhas,
Caminhar tantas forem as milhas -
Reforçar a auto-estima...


...Estima que sempre se faz imã,
Afasta o lamento vicioso
 E contra a solidão - vacina!


Sim, se me furtam a felicidade,
Na lógica - só a verdade:
É possível antes, alguma doação...

F.C...



Um grande abraço  para todos.

sábado, 8 de maio de 2010

Eu e a barata - o lado obscuro das ideologias nas imagens cinematográficas.




“(...) A atração de aparecer num filme envolve aristocratas, proletários, burgueses e intelectuais. Não deriva de tornar-se público, mas sim, de alcançar a imortalidade”
(CANEVACCI. p. 26)


Repugnante para alguns e quase ininteligível para outros tantos, o romance de Clarice Lispector – A Paixão Segundo G H – é verdadeiramente inquietante e por demais “Revelador”... Isto, dentro do aspecto religioso / místico nos soa com significados múltiplos e obscuros. Porém, no sentido do contexto da obra, a grande “Revelação” gera um mal – estar incontido, pois mexe com toda construção da identidade humana seja ela científica / racional ou religiosa / emocional. A protagonista aprisionada pelas convenções sociais – pelas criações culturais -, mergulha no ato reflexivo, descobre o (s) Outro (s) e (re) descobre a si mesma. No livro, a barata observada a remete à artificialidade de sua vida: fútil e vazia. No ápice deste processo doloroso devora a barata num só ímpeto, como se “A Redenção”.
E não só: é a própria REVELAÇÃO. E para compreendermos o que essa obra memorável tem a nos ensinar a respeito do Cinema, temos um longo e complexo trajeto. Porém, como nos alerta um autor que em muito nos proporcionou a fundamental base teórica, Massimo CANEVACCI: devemos sempre nos lembrar que “o passado influencia o presente em seus subterrâneos” - o mesmo passado que teoricamente rejeitamos...
O ser humano, em sua saga dita “ evolutiva”, acumulou cultura e se fez “ superior” a todas as demais criaturas criando no decorrer desse trajeto histórico / geográfico específico diferenciações internas à própria espécie. Inúmeras foram as justificativas diretas ou indiretas, de fundo religioso ou não, com o fim de estabelecer hierarquias entre espécies e entre homens / mulheres. Em suma, na luta pela sobrevivência material, a espécie humana desenvolveu estratégias culturais diferenciadas e, no tocante à Cultura Ocidental, o afastamento da Natureza e de tudo à ela correlacionado tornou-se sinônimo de “civilidade”. Em muitos momentos as alegações religiosas somaram-se às econômicas, às sociais, às “científicas” e atingimos o patamar onde as dualidades peculiares a este pensamento maniqueísta nos são claras: quanto mais próximos à Natureza mais “selvagens”, mais “bárbaros” e “menos” humanos e “civilizados”... Sendo o extremo oposto da afirmação acima a fina nata de qualquer sociedade...
Na esteira do Darwinismo social, o forte “civilizado” bem resolvido em suas necessidades materiais e espirituais é o “construtor” de obras e de cultura, dentro de uma perspectiva etnocêntrica, tendo o direito de submeter o classificado como “fraco” e ainda “dependente” dos ciclos naturais vitais de sobrevivência, como se ele próprio não conservasse mais as mesmas necessidades.
Este modelo foi disseminado no processo de colonização e submeteu diferentes povos não só à espoliação das riquezas materiais, como também, à destruição de suas identidades étnico-culturais. Por um lado, o discurso homogeneizado entre as potências que se impuseram imperialistas (re)inventou os seres “infantis” que deveriam ser cerceados e conduzidos pela elite cristã “culta” e “civilizada”, por “tutela”, já que “ignorantes” e desprezíveis”. Noutro posicionamento, também um tanto discutível, estes grupos continuariam sendo tutelados por serem “vítimas” de seu ambiente hostil, deflagrador de um estado de inércia e/ou incompetência que impediria de encontrar e solucionar os problemas vivenciados por eles, no cotidiano. Neste último contexto, simbolicamente, o herói é espelhado como sendo “externo”. O “salvador” dos oprimidos que parece desejar deslocar apenas o enfoque messiânico do âmbito divino verticalizado para o terreno antropomórfico. Talvez, um reflexo do padrão colonizador não observado e reproduzido pelos que dizem que não querem ser colonizados ou colonizar, mas colonizando...
Em relação ao poder da Arte e, em particular, do cinema, muitas foram as obras e surpreendentes as conclusões.
É tão intrigante quanto o mergulho crítico de Lispector, por meio de sua personagem atormentada, a reflexão de CANEVACCI a respeito das artes técnicas do cinema. Como uma conjunção arquétipica de vários símbolos construídos no decorrer da história humana e tendo como parâmetro unificador a psicologia de Jung, o autor afirma que teria a sala de cinema a disposição dos antigos cultos pagãos na Grécia Antiga. Posteriormente, com o advento da religião católica, Dionísio foi destronado pelo Deus Cristão e por seu filho Jesus. Se no primeiro momento a participação dos ritos e cultos dionisíacos se fazia sem separação entre o profano e o sagrado, com a nova religião inaugurou-se a ERA dos espectadores. Neste período da Antigüidade, ser objeto de olhares era sinal de prestígio e reforçava a subjetividade. Era o reconhecimento social. Ao contrário, apenas olhar era a aceitação da própria subordinação. Aceitação da subordinação do espectador. Depois que Cristo substituiu Dionísio, a Tragédia-missa-cinema é a fórmula de um processo complexo que se metamorfoseia a ponto de que se possa falar que a participação não transforma a própria presença em práxis, mas faz quem participa adaptar-se, tornar espectador: passivo, mero objeto e não sujeito/objeto da história, como no culto pagão. É a prática de um tipo de “voyerismo”, relembra MORIN.
Nessa passagem é que nasce o conflito entre o bem e o mal, tema Nietzscheniano. Toda cultura de massa tem essa inspiração religiosa: um elemento de beatificação e outro de demonização. O fato é que libertadora ou subterfúgio à manipulação de um grupo como forma de dominação coletiva, a arte/cinema, como as outras, para além do maniqueísmo judáico-cristão-burguês, ainda como CANEVACCI, tem que ser vista em seu poder mediador tal como a palavra (forma-signo) polissêmica e subjetiva (contexto-significados).
Este pensamento de origem simbólico-religioso transportado para o cinema espelha a antes comentada construção do “herói' e do “bandido” contrapondo-se incansável e incessantemente nas telas, isto, acrescido da típica lombrosiana e eugênica, dos séculos XIX: estereotipifica-se o “mocinho” à imagem e semelhança de si e do grupo a que se pertence, beatificando; ou, inversamente, “demonizando” o Outro recompondo os padrões do que é estético com o tempo/espaço aos moldes da ideologia hegemônica. Daí, também, surgem versões confusas que refletem indefinições ou ambigüidades deflagradas por crises internas de posicionamento do artista/autor/diretor. Marcuse e Benjamin desconstroem o revolucionário de alguns ícones da literatura mundial, como Baudelaire e Victor Hugo, quando afirmam que a rebelião secreta do burguês, em verdade, não traz vantagens e mudanças significativas para os personagens reais que lhes serviram de inspiração literária. Talvez, mais do que qualquer outra arte, o cinema tem esse poder persuasivo da imagem que penetra na psiquê humana, sendo o suporte da mercadoria/ideologia etnocêntrica e invisível , por excelência. Assim, para CANEVACCI a visão do absoluto é ruim em qualquer sentido e sempre esconde uma relação de classe; não auxilia aos que se dirigem por ser uma versão política...
Na reinvenção do cinema brasileiro o desprezo pelo “padrão estético” burguês americano e pela retórica, entre outras características, parece ser o “diferencial” classificatório para o termo “revolucionário”. A arte como criadora da beleza – em sua busca pelo padrão estético -, eclipsa, por exemplo, o quanto este padrão está enraizado no inconsciente coletivo e reflete a ideologia do “vencedor”. O cinema “denúncia” pode incorrer neste risco quando se utiliza dos mesmos dados manipuladores, maniqueístas e estereotipados daqueles que são seus supostos “opositores”. Recursos técnicos sofisticados, definições física e comportamental de como serão tratados os personagens, etc., são elementos externos e muito carregados de interpretações pessoais, preconceitos cristalizados, às vezes, imperceptíveis num primeiro instante – até para o dito “revolucionário”. O espetáculo provocado no conjunto de imagens cega as atenções para as entrelinhas dos discursos. E nem sempre “intencionalmente” - como se conspiração secreta.
Diretor, roteirista, ator, cenógrafo e tantos outros figuram como parte nessa transposição das outras linguagens para a cinematográfica: o ambiente e a história são manipulados de modo a tirar do espectador as reações esperadas. O comprometimento da Sétima Arte em reproduzir a realidade que se apresenta “ao olhar humano” por meio da intervenção na seleção das imagens/temas, das estratégias técnicas, da fixação do tempo narrativo, etc., tornou o cinema o suporte de uma das indústrias mais poderosas – a da IDEOLOGIA. Ainda, para LEITE, o “cinema tem poder de transformar lendas em fato. Em outras palavras, de construir e destruir contextos”.
Edgar MORIN aborda a respeito da transposição de outras linguagens para a cinematográfica: versões agradáveis e simplificadoras destinam a FESTA ao desaparecimento em prol do ESPETÁCULO. Ele explica que nós nos identificamos à personagens completamente estranhos e “vivenciamos” experiências que jamais foram ou serão vivenciadas ... E é verdade: não vivenciamos a EXPERIÊNCIA e “ O Fim” é sempre “ fim”.
Preservar a obra original não é, em definitivo, uma prática entre os diretores bem mais interessados em dar o chamado Happy end, como nos relembra MORIN. Sendo fiel ou não, em todos os casos é sempre útil não esquecer que são versões e recortes da realidade num dado “suporte”, nunca a realidade/verdade, se é que a última existe. Até porque o pilar da indústria cinematográfica está na PAIXÃO/EMOÇÃO, não na RAZÃO/LÓGICA. E a mídia, no geral, bem sabe como usar o seu poder persuasivo, seduzindo mesmo os “revolucionários”.
E para findar...
Picasso dizia: “ a Arte é uma mentira que nos ensina dizer a verdade” - para que a Arte cumpra esse destino de grandeza – tem que ser simplesmente Arte e não se impor como “verdade”. Precisa do conhecimento das Ciências aliado à criatividade, não da criatividade obscurecendo as Ciências... Tem que se conscientizar que está inserida num mercado de idéias que renderá lucros ou fracassos, não se colocando os seus mentores na posição sagrada de Dionísio / Deus/ Diretores (Salvadores?). Ou seus admiradores na posição passiva de em nada questionar e em tudo acreditar.
Só para não esquecer de Clarice - nossa musa inspiradora desse desafio que é unir esforços numa reflexão acerca das imagens cinematográficas em seus aspectos mais obscuros -, em uma de suas entrevistas, ela nos legou mais uma riqueza, a SINCERIDADE. Num dado momento, ao ser questionada pelo repórter respondeu que, talvez, os escritores escrevessem porque na realidade não quisessem mudar nada. Uma “anti-herói”?

Agora é com vocês leitores: fica a mensagem e a provocação dessa magnífica figura como exercício à reflexão.


E a BARATA? Vai encarar?


routenews.com.br

BIBLIOGRAFIA


BERNARDET, Jean Claude & RAMOS, Alcides Freire. Cinema e História do Brasil, SP: Editora contexto, 1994.
BERNARDET. O que é Cinema? SP: Editora Brasiliense, 2000.
CANEVACCI. Massimo. Antropologia do Cinema. SP: Editora Brasiliense, 1990.
COSTA. Antonio. Compreender o cinema. RJ: Editora Globo, 1987.
FURHAMMAR, Leif & IAKSSON, Polke. Cinema e Política, RJ: Paz e Terra, 1976.
LEITE. Sidney Ferreira. O Cinema manipula a Realidade? SP: Palus, 2003.
MATOS. Olgária C. F. A Escola de Frankfurt. SP: Editora Moderna, 1993.
MORIN. Edgard. Cultura de Massas no século XX (O Espírito do Tempo). RJ: Cia Editora forense, 1967.
SOUZA. Carlos Roberto de souza. Nossa Aventura na Tela. SP: Cutura Editora e e Associados, 1998.
SITE

DUARTE. Regina Horta. Nietzsche e o Ser Social Histórico ou da Utilidade de Nietzsche para os Estudos Históricos. Profa. Adjunta do Depto. de História – FAFICH/UFMG.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Foto: Inspiração, 2008, Fênix.

" O Nosso melhor presente é acreditar 
que haverá um futuro ".

Feliz Dia das Mães


...para as que são, 
para as que serão


 Foto: Amor de Mãe é Rosa, Fênix, 2009.

ou, para aquelas que, de tão amadas, 
se fazem o tempo todo SER...


Foto: A Paz, Fênix, 2008.


Balada do Cotidiano

Minha Vida - meu ENGENHO -,
Lá vou eu... volto já...
Vou pra longe e vou ligeiro,
É preciso trabalhar.

Brilha a Lua quando chego,
Nem lhe vejo despontar.
Não lhe ensino com mil beijos...
Nem sei bem seu B-A-BA.

Mas, amar é transcender Espaços:
Vem o Sol e a largos passos,
Sigo, sem lhe ver o despertar.
E guardo comigo a terna imagem
Que aos meus nós -  faz desatar!

Foto: Aquática, Fênix, 2008.

domingo, 2 de maio de 2010

O ERRADO em linhas RETAS.

Desenho: Haicai - Fênix

Agora, lá fora,
Toda energia vital -
Tal qual o sangue de Cristo -
Aflora da flora:
E não revigora.



Qual sacrifício conforta?
Como se faz dele, normal?
Desafios previstos
Releio em linhas tortas -
Tantas Naturezas... mortas.


O Signo das Águas,
Incontestável polissemia:
Lágrima que mata
Ressoa o gemido
De uma Terra já ferida...


Das matas, sequer sementes.
Homens? Estátuas de Sal.
O futuro - risco(s)-,
Sem solução no presente.
Impoẽm-se: flores-do-mal!
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